Rede Sindijori de Comunicação

A gente tem sede de quê?

Quando surge um problema na vida de um cidadão, a primeira

coisa que ele tenta é resolver. Quando esse problema surge na esfera

da administração pública, a autoridade busca logo uma desculpa e as

justificativas, que explicam, mas não justificam.

falta de água e, por consequência, de energia, que não é somente por

falta d’água que têm seus constantes apagões.

o que deveria ter sido feito, mas que não disseram a tempo de evitar

os problemas. Eles se juntam às autoridades responsáveis para atribuir

a culpa às vítimas, assim como na violência, na péssima qualidade do

ensino e em todas as deficiências dos serviços públicos.

lava a roupa e a louça aos poucos e não de uma vez. Só faltam dizer

que ele bebe água acima do recomendado pela Organização Mundial

da Saúde. Esse descuido até deve ser real e lógico. O problema é que

nunca disseram uma vírgula antes para a pessoa adquirir hábito de

maneira natural e cotidiana.

por contrato de adesão entre empresa fornecedora e o cliente. Como

todo negócio de compra e venda, sem crise, o vendedor quer vender o

máximo e o consumidor é incentivado a consumir o quanto mais.

uma bolha. Ela vai se constituindo vagarosamente. A imprensa e seus

especialistas deveriam afirmar isso com clareza ululante e quais as

medidas deveriam ser tomadas para não faltar água. É importante que se

saiba que a água deve ser adequadamente utilizada, mas cada um deve

consumir conforme a sua necessidade, que é diferente de uma pessoa

para outra.

que seria abuso. E essa culpabilidade recai sempre sobre os pobres,

entrevistados constantemente sobre como economizam água.

Neste momento a discussão quase exclusiva gira em torno da

Nas crises aparecem sempre os “especialistas” a dizer sempre

O cidadão é culpado porque lava a calçada, o carro; porque

O fornecimento de água, assim como o de energia se dá

Ninguém diz que nenhuma crise começa como a explosão de

É fundamental saber que não há nenhuma definição do

Entretanto, os maiores desperdícios ocorrem nos órgãos públicos. Em

nenhum existe algum mecanismo de reúso da água. Agora mesmo, em

qualquer repartição coletiva que se vá não tem mictórios para evitar o

desperdício com descarga de vários litros toda hora que se fizer xixi.

tratada na capital paulista, que ainda é uma das cidades que menos

desperdiçam no Brasil. Outra crítica recorrente é dirigida às ligações

clandestinas. Há uma diferenciação que não é apontada: apenas por ser

irregular formalmente não significa água jogada fora. A população pode

estar consumindo de forma adequada, mas não paga pelo consumo.

pressão. Isso significa que a água não chegará aos consumidores, uma

tentativa infantil de tentar camuflar uma realidade constatada dia a dia

pelos consumidores. Isso significa falta d’água, independente do nome

que derem.

destaque dado aos altos índices de aprovação popular ao racionamento.

Não fazem nem uma analogia ao pedido de Paulo Maluf para que as

mulheres fossem “apenas” estupradas e não assassinadas. Precisaria

ser de outro planeta – não humano – para escolher ficar sem uma gota a

ter um pouco de água.

deveriam pedir desculpas sinceras à população, além de renunciarem

aos cargos quando deixassem se instalar uma crise como a atual falta

de água e de energia, uma prática recorrente nos países desenvolvidos

e nos asiáticos, em especial. Não ficarem brincando como o ministro das

Minas e Energia de que Deus é brasileiro. Esqueceu de dizer que parece

que o Capeta também é filho nato.

Em vazamentos são desperdiçados mais de 30% da água

Racionamento passou a ser chamado de diminuição de

Outra distorção perpetrada pelos meios de comunicação é o

Caso tivessem um mínimo de decência, as autoridades

Pedro Cardoso da Costa –

Bacharel em direito

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