Rede Sindijori de Comunicação
ME ENGANA, QUE EU GOSTO
Impressionante como as pessoas nas relações políticas
e econômicas gostam de se enganar. E um dos grande
enganos é que o desenvolvimento vem de fora. Ou
melhor dito,no caso de Minas, vem da Capital. Ou seja,
políticos e burocratas, de novo encastelados no Palácio
da Liberdade e na Cidade Administrativa, sabem o que
é bom para as pessoas que moram em povoações e
rincões de um Estado que tem território maior que o
da França. E o melhor disso tudo é que todos acreditam
que é assim que funciona .
Mas, o resultado desta relação é absolutamente pífio. É
só ver os números e os exemplos. Os municípios, e há
nestes dias na Capital, no Congresso Mineiro de
Municípios, um beija-mão e choradeira
desproporcionaldos prefeitos, na sua maioria não
encontram os caminhos do desenvolvimento, a não ser
através de maior dependência do poder central.
As comunidades mais bem sucedidas no mundo inteiro,
foram aquelas que souberam criar seus próprios
planos de desenvolvimento e encaixá-los dentro de
projetos maiores. Não ao contrário, vindo de cima para
baixo, mas de baixo para cima. Ou seja, onde a união de
lideranças políticas, empresariais, dos trabalhadores,
religiosas, em resumo onde todo mundo se junta e diz o
que precisa ser feito e como. E em seguida faz.
Entre inúmeras histórias bem sucedidas nas Alterosas,
como as do Vale de Eletrônica, Nova Serrana, Uva,
entre outras, há também novas histórias como a de
Varginha. Sob coordenação técnica doSEBRAE, os
empresários estão assumindo projetos de
desenvolvimento incluindo todos os atores
econômicos, políticos e outros atores sociais. Ou seja,
uma declaração de guerra ao estágio lento de
desenvolvimento e um projeto realista que prevê, com
resultados claros e contabilidade transparente, uma
mudança radical na vida dos cidadãos de Varginha nos
próximos anos.
Minas, através da FIEMG, foi pioneira na implantação
dos clusters, ou arranjos produtivos locais, no Brasil.
Alguns funcionam muito bem. Ganharam asas e foram
adotados pela comunidade, como é o caso do Vale da
Eletrônica, no Sul de Minas. Outros foram feitos para
atender à ilusão de que cluster por si só já é
desenvolvimento.
Me engana que eu gosto. Desenvolvimento tem que ter
um componente local e fundamental é saber
transformar os sonhos, visões e necessidades de todos
em projetos realizáveis. Algo que Varginha sem ET está
fazendo.
Stefan Salej – Ex presidente da Fiemg e Sebrae/MG