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Da economia estúpida – STEFAN SALEJ

Oh espelho meu, me diz: tem Estado mais bonito do que eu?

A pergunta para avaliar os investimentos no Estado brasileiro pelo

investidor, seja nacional ou estrangeiro, é mais do que válida!

Mesmo com a economia brasileira em crise, com baixo crescimento

e um aperto fiscal à vista, a Europa em recuperação e os Estados

Unidos se recuperando, existem oportunidades de investimento no

Brasil. O fato é que quem souber, no ditado clássico, fazer da crise

oportunidade, ou do limão limonada, vai ganhar espaço, vai ganhar

mercado e vai ganhar dinheiro.

Não há dúvida alguma de que o saneamento fiscal e financeiro do

Estado é bem visto pelo investidor. Estadofalido como o nosso é um

desastre para o trabalhador e péssimo para o empresário. Não é só

por causa dos investimentos que o governo estadual lidera ainda,

mas entre outras coisas, pela má prestação de serviços públicos,

inclusive de saúde, educação e segurança, que prejudicam toda a

população. Manter as finanças públicas em ordem não é opção, é

obrigação dos governantes.

Mas, aí entra a estupidez da economia. Aliás, algo que um governo

composto por próceres econômicos facilmente entende. As finanças

públicas só vão ser acertadas se a economia produtiva ou aquela

que produz pagamento de impostos for bem sucedida. No popular,

as empresas quebradas não pagam impostos. E haja no estado

empresas quebradas. Ou mais, haja nas Gerais empresas em vias

de quebrar por causa do mercado externo e seus preços aviltados,

por causa de fuga de capital que transformou Miami em sede

do capitalismo mineiro, ou por diminuição dos negócios e a sua

qualidade no país inteiro.

E ninguém, fora algumas frases de efeito, viu uma meta de

crescimento do PIB mineiro nos próximos anos e muito menos

um consistente plano que inclua um acordo entre o governo,

trabalhadores e empresários para, após 12 anos de marketing

de ilusão de crescimento, chegar à hora de um crescimento

sustentável. Muitas das iniciativas, como o pioneirismo mineiro no

projeto Cresce Minas, introduzindo a metodologia de clusters no

país, foram bem sucedidas. Tem que continuar com o que foi bem

feito, melhorar as condições de desenvolvimento de empresas

existentes e não privilegiar só a vinda de novos investimentos que

recebem tudo enquanto os empresários que estão lutando para

sobreviver perdem tudo. É mais barato para o estado apoiar os que

estão aí do que dar incentivos a que vem.

Mas, os novos investimentos não devem ser desprezados. E nem

os novos mercados. Minas tem uma relação especial com China,

que deixará de importar as mesmas quantidades de minérios para

investir em siderúrgicas e produtos sofisticados fora. E aí a nossa

visão não pode ser só de valorização de zebu, enquanto uma

Xiaomi, a empresa de maior sucesso na era de telecomunicações

do mundo, que tem em um mineiro, Hugo Barra, seu principal

executivo, está se instalando no Brasil e em Minas nem sabem

que o nosso conterrâneo está aí! Haja visão e haja ação para voltar

crescer. É a economia, estúpido!

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