Só percebemos o tamanho de uma queda quando caímos da altura que está muito além das nossas expectativas. E a verdadeira experiência é superá-las ou, pelo menos, tentar. A sensação de um alpinista, embora nunca se tenha tentado passar do telhado de uma casa, bem pequena, diga-se a verdade, ou quando usa o elevador que se aproxima do chão, é comparável às sucessivas quedas durante o aprendizado de uma escalada.          Tendo sofrido quedas menores, ele sabe exatamente o que seria a queda de uma altura maior. E, portanto, é necessário que tenha passado por muitas situações difíceis; logo, ele pensa e calcula cada passo a seguir para continuar a escalada.

A experiência tem desses sofrimentos, porque é o período onde adquirimos maior conhecimento, que está nos momentos difíceis que encontramos pelo caminho. Nada se compara, em experiência, com aqueles que guardam as cicatrizes das aventuras bem ou mal-sucedidas – qual seria a visão de mundo que passa a ter o aventureiro que coleciona cicatrizes depois da jornada ao desconhecido?

Às vezes a dor se torna suportável quando sentimos, antes da aventura, as dores do aprendizado. Aprendemos a agir, a sentir e a medir as consequências das nossas aventuras. E seguimos adiante, avaliando o custo e o benefício delas.

Se a experiência é o acúmulo de conhecimento, compartilhá-lo é a prova inequívoca do bom professor. Quando compartilhamos o que sabemos, alcançamos uma espécie de imortalidade, um tipo de reconhecimento que os outros nos conferem. Qual seria a importância dos mais velhos em uma comunidade, compartilhando seus sofrimentos de aprendizado?

Experiência é ganho de conhecimento. Compartilhar conhecimento é proporcionar ao outro que alcance voos maiores. Não importa que sejamos batidos no futuro, mas ser lembrado como quem abriu as portas para o outro, mais do que um ato generoso, o ato se transforma em uma lembrança imortal.

Quantos subiram em ombros generosos que lhes doaram o conhecimento, o aprendizado e as dores para que a humanidade seguisse adiante.

Seres históricos são imortais, mesmo que não consigam seus intentos. Suas experiências são os momentos mais difíceis de suas vidas. Ainda assim, não desistiram, não foram mesquinhos em não espalhar aquilo que amealharam através do tempo. Se convertem nos mais amorosos e idolatrados teimosos que moldaram nosso futuro.

São felizes por terem sido, algumas vezes, derrotados, mas se gabam de nunca terem cooptado com a ignorância, certos de que, no futuro, o reconhecimento tardio será a reverência às suas memórias.

Na vida, nossos momentos difíceis são os mais valiosos, os de mais profundo aprendizado. Quando não ouvimos ou desdenhamos os, supostamente, fracassados, quando eles nos avisam do perigo à frente, os julgamos como medrosos ou antiguados. O medo de alguma coisa é o respeito pela estrada, pela floresta, pelo novo emprego, pelo novo desafio que se apresentam. Somente os mais experimentados sentiram o medo e, em vez de recuarem, seguiram em frente. O medo lhes ensinou a cautela, a experiência lhes permitiu seguir adiante, e o desprezo daqueles que os criticaram revela o despreparo para seguir uma vida de aventuras e belezas.

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