Ao longo de 2014, a seca levou 1.265 municípios de 13 estados do nordeste e do sudeste a decretarem situação de emergência, de acordo com o Ministério da Integração Nacional, hoje, 936 cidades estão nessa situação.
No sudeste, a gravidade da situação ficou mais em evidência neste mês, já que o início do verão não trouxe chuvas necessárias para recuperar os reservatórios. Como resultado, as três maiores regiões do país convivem com a possibilidade eminente de desabastecimento (Fonte Jornal O Globo).
Em Muriaé, qual é a realidade de nosso município hoje?
Em Muriaé a situação encontra-se controlada. A cidade conta com 02 captações de água bruta, a captação do Rio Glória, responsável por 80% do abastecimento da cidade, e a captação do Rio Preto, responsável por 18% do abastecimento da cidade. Os demais 02% da sede municipal é abastecida por poços artesianos.
A captação do Rio Glória é feita junto à barragem da PCH Ormeu Junqueira Botelho, onde há uma grande reserva de água bruta. Por questões técnicas e contratuais, a empresa que opera a barragem para geração de energia deve manter um nível mínimo de água para garantir a estabilidade da represa e o abastecimento de água da cidade de Muriaé, limitando por vezes sua geração de energia. Além disso, a vazão de água utilizada pela cidade de Muriaé é muito inferior a vazão de água que chega à represa do Rio Glória, assim este sistema não corre riscos de restrições.
O sistema do Rio Preto, apesar de operar normalmente, merece mais cuidados. A captação do Rio Preto é feita através de uma balsa, portanto, é necessário que o Rio Preto tenha sempre um nível de água mínimo para que a balsa não encoste no leito do Rio. Até o momento há uma pequena folga neste nível de água e mesmo que ele caia há diversos recursos que o DEMSUR pode executar que garanta a retirada da água deste Rio. O DEMSUR atualmente está investindo em uma nova captação de água bruta neste Rio, que fique menos sujeita as variações na altura da lâmina d’agua. Sobre a vazão do Rio Preto, a mesma ainda está bem superior a quantidade de água que o DEMSUR retira para tratamento.
Os poços artesianos que abastecem cerca de 2% da cidade encontram-se com vazões baixas, porém superiores as demandas das regiões por ele atendidas.
Assim, apesar de estarmos atentos a seca que tem atingido toda a região sudeste, o DEMSUR está em uma situação que dispensa a necessidade de qualquer interrupção temporária no abastecimento. Vale lembrar que interrupções no sistema devido a queda de energia em bombas e vazamentos sempre podem ocorrer, porém por um período curto de tempo e com pouca frequência.
Porém é de extrema importância que a população economize água o máximo possível e em qualquer época do ano, visando sempre garantir que este recurso tão importante para a vida humana esteja sempre disponível para os habitantes de nosso município.
Dados técnicos referente à PCH Ormeo Junqueira Botelho, no município de Muriaé
O reservatório da referida PCH possui volume útil aproximado de 1,25 hm3 (1.250.000 m3) e oscila dentro de uma faixa de aproximadamente dois metros e setenta centímetros. Atualmente tem se mantido o nível do reservatório entre 2,20 e 2,70, de forma a preservar o volume de água existente, rigorosamente dentro dos limites da Licença de Operação da usina. A vazão média utilizada para geração nesta configuração, em coordenação com a operação de outra usina existente a montante, a usina do Glória de propriedade de outro empreendedor é de 10,40m3/s, durante 3 horas e meia ao dia, nos dias em que há água que possibilite a operação, devido à atual condição hidrológica.
Nathalia Menezes
Analista de Comunicação Jr.
Brookfield Renewable Energy Group










