Rede Sindijori de Comunicação
Do Imperador e o aprendizado
Stefan Salej
Ninguém é de ferro e, no meio de muita tensão, stress e
preocupações, assistir novela não é exatamente ler um livro de
Slavoj Zizek, filósofo europeu em moda hoje, mas não deixa de ser
uma boa diversão. Mesmo sendo empresário ou empreendedor,
não cai a coroa da sabedoria se você assistir a novela e souber se
divertir e mais: aprender. Primeiro que as novelas brasileiras são da
mais alta qualidade visual e apreciadas como cultura brasileira no
mundo inteiro. Não tem nenhum produto brasileiro que atinja tantos
países como as novelas. Avenida Brasil foi vendida para mais de
140 países que assim viram como é o Brasil e quiçá ouviram falar o
nosso português.
Em segundo lugar, porque não tem novela brasileira que não fale
de empresa, de empresário e de negócios. Na maioria das vezes
fala mal, apresenta uma realidade empresarial que só existe na
novela, e quase sempre o empresário ou empresária é vilão. E
mostra as relações empresariais através de uma ótica que o povo
adora, mas que está longe de ser a realidade de cada dia e de
todos os dias dos empresários no Brasil. Ou não?
O último sucesso da TV Globo, Império, está mais perto de Minas
do que os outros. Mostra uma empresa que “mexe” com pedras
preciosas, transformando-as em jóias, e com comércio ilegal,
enriquecendo uma família que fica destroçada com tramas de todos
os tipos. Mas, ficam patente o exercício ilegal de negócios, vendas
e compras com ou sem notas, contas em bancos suíços à margem
da legalidade com acesso facílimo, e mais uma gestão complexa
e difícil de uma empresa familiar. Empresa onde a família participa,
filho rouba funcionários, pai se finge de morto, um misterioso
Maurilio investe na empresa e procura ao mesmo tempo a sua
destruição e mais e mais. Tramas e traumas, brigas e confusões,
e a empresa como fica? Dificuldade financeira, funcionários sem
receber salários em tempo e questionando a lealdade da empresa
com eles, esquecendo o verso da medalha.
Mas não é só o Império que existe nesta história. Tem mais o
cabeleireiro, micro empresário que administra seu salão como a
maioria dos seus colegas. Informalmente. E o restaurante Enrico
que passou ser a chamado de Vicente, onde os dois chefs motivam
a equipe de uma forma interessante e teve a muito comum
denúncia falsa de higiene. Aliás, essa é a história verdadeira que foi
inserida na novela.
Não deixam de ser interessantes outras personagens como
Antoninho, com a escola de samba, e o dono do botequim com
comida nordestina. Mas, também as novas relações,tais como
a maneira de tratar os “diferentes”, como os homossexuais e o
seu papel na sociedade e nas empresas, devem ser observadas
com atenção. Em resumo, há de tudo, inclusive o discurso
impressionante da Cristina quando se forma em administração de
empresas após ser dona de box no camelódromo. E a história do
pintor doente e a sua exploração.
Em resumo, preste atenção e se divirta. Você pode apreender
muito. A fantasia às vezes está mais perto de realidade que você
acredita.