O aumento do número de ações na Justiça para garantir medicamentos ou tratamento
médico foi debatido no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na
segunda-feira (14/9/15) e terça (15), durante o Ciclo de Debates Judicialização da Saúde. Nos dois
dias de evento, autoridades e especialistas discutiram as causas, o impacto no orçamento público
e também as possíveis soluções para reduzir o número de processos judiciais.
O deputado Doutor Wilson Batista (PSD), 3o-secretário da Mesa, autor do requerimento
que deu origem ao debate e coordenador dos trabalhos justificou que a judicialização precisa ser
oportuna. “As pessoas têm que ser atendidas no seu direito à saúde, ou seja, atender a cada
cidadão de acordo com a sua necessidade e no momento oportuno, quando há possibilidade do
melhor resultado, visando reduzir a necessidade das pessoas terem que recorrer à justiça para
garantir o acesso, evitando os atrasos nos atendimentos e os agravamentos de algumas
patologias”, enfatizou o parlamentar.
No primeiro dia, pela manhã, o ciclo teve a apresentação do cenário atual da judicialização
da saúde, as causas, os efeitos e o perfil das demandas. Minas Gerais, por exemplo, de acordo
com levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), tem registrado
contínuo avanço nos gastos com o cumprimento de sentenças judiciais.
Enquanto em 2009 o valor gasto era de R$ 34,45 milhões, em 2013 alcançou a cifra de R$
291,70 milhões, o que representa um aumento de 746,7%. Descontando a inflação do período, de
acordo com o IPCA, o crescimento é de 610%. Em 2014, pela primeira vez, o número apresentou
uma redução: foram R$ 221,93 milhões.
Esse grande volume de despesas revela ainda um outro aspecto debatido no primeiro dia
do evento: a atuação do sistema judiciário. Até o final de junho deste ano, de acordo com dados
do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), já eram 38.845 ações judiciais. Muitas vezes, os
juízes não possuem informação médica ou farmacológica para analisar os processos. Assim,
durante o evento, foi debatida a implantação de um serviço de suporte técnico aos magistrados. A
iniciativa já está em funcionamento em Minas Gerais, por meio do Núcleo de Avaliação de
Tecnologias em Saúde (Nats), vinculado ao Hospital das Clínicas da UFMG.
Outra iniciativa que também foi debatida é a possível criação de uma câmara de mediação
e conciliação para tentar resolver administrativamente as demandas judiciais da saúde, antes
mesmo que elas sejam distribuídas a um juiz. Estarão em pauta ainda a atuação da Defensoria
Pública e do Ministério Público.
Impactos no orçamento – No segundo dia, o debate fez uma análise dos impactos da
judicialização na gestão e no orçamento. Além do comprometimento das finanças públicas,
também foi discutida a pressão de grupos do complexo industrial da saúde, ou seja, o papel de
médicos, laboratórios e escritórios de advocacia nesse contexto.
Também no segundo dia, à tarde, foram discutidas perspectivas e possíveis soluções para
o excesso de demandas judiciais na área da saúde. Nesse debate, especialistas de diversas
instituições do País vão apresentar caminhos para a redução da judicialização.
Causas da judicialização – Autor do requerimento para realização do ciclo de debates e
médico oncologista, o deputado Doutor Wilson Batista (PSD) acredita que a judicialização
exagerada é um sintoma da fragilização progressiva do Sistema Único de Saúde (SUS). O
parlamentar explica que, como a tabela do SUS remunera mal os hospitais pela maior parte dos
procedimentos realizados, eles acabam limitando os atendimentos porque, sem isso, acumulariam
uma dívida imensa. Situação que gera fila de atendimento, o que faz com que os pacientes
recorram à justiça para fugir da espera. “O SUS, às vezes, paga aos hospitais e aos médicos até três
vezes menos que o custo real”, diz o deputado.
Doutor Wilson Batista considera que reforçar a auditoria nos hospitais do SUS é outra
medida fundamental. “Atualmente, o governo dá R$ 1 milhão para um hospital e não fiscaliza. O
hospital embeleza, coloca granito nas alas para atender o paciente particular e o atendimento do
SUS continua na porta dos fundos, com paciente na maca quebrada”, critica.
Medalha Juscelino Kubitschek
No último sábado (12/09) o deputado Dr. Wilson Batista (PSD) recebeu das mãos do
presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Adauclever Lopes (PMDB), a Medalha
Juscelino Kubitschek. A comenda foi entregue em solenidade na cidade de Diamantina, terra natal
de Juscelino, e agraciou personalidade com reconhecido trabalho em prol do povo mineiro.
Segundo o deputado Dr. Wilson Batista o reconhecimento é fruto de uma dedicação
diuturna aos mineiros. “Nós passamos nossos dias cuidando da vida. Quando no interior, atuamos
como médico buscando restituir a saúde e a alegria de viver aos nossos pacientes, e quando
trabalhamos como deputado, voltamos nossas ações à promoção da vida através da proposições
de leis que surgem da plena necessidade do nosso povo”, afirmou o parlamentar.
Assessoria de Imprensa deputado Dr. Wilson Batista / Assessoria de Imprensa Assembleia de Minas