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Minas Gerais terá Comissão participativa para avançar na
política de impostos
Grupo de trabalho foi instituído pelo governador, por meio de decreto publicado no
Diário Oficial dos Poderes do Estado, para revisar e simplificar a legislação tributária
mineira
O Governo do Estado de Minas Gerais deu, mais um importante passo
no objetivo de promover a intensa participação na gestão estadual. A novidade
é o decreto no 46.722, de 5 março de 2015, publicado na edição do diário
oficial de Minas Gerais, por meio do qual o governador Fernando Pimentel
constituiu a Comissão Permanente de Revisão e Simplificação da Legislação
Tributária do Estado de Minas Gerais.
A comissão, criada no âmbito das Secretarias de Estado de Casa Civil e
de Relações Institucionais (Seccri) e de Fazenda (SEF), surge com o propósito
de desenvolver estudos, propostas e pesquisas para aperfeiçoar o sistema
jurídico-tributário de Minas Gerais. Garantir a justa distribuição tributária, a
segurança, a transparência e a praticidade na administração dos tributos estão
entre os objetivos a serem atingidos nesta ação, que visa à transformação
política de arrecadação, a harmonização fiscal e a consolidação de um
ambiente contínuo de diálogo e transparência sobre o funcionamento dos
tributos estaduais.
Discussões na temática tributária
O grupo será presidido, no biênio 2015-2016, pela professora titular
de Direito Financeiro e Tributário da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), Misabel Derzi, que traz, consigo, por exemplo, a experiência de
sucesso à frente “Comissão permanente de simplificação e revisão da
legislação tributária de Belo Horizonte”, criada na capital durante o período em
que Fernando Pimentel foi o prefeito de BH.
Na época, lembra Misabel, a “equipe examinou as relações entre
a administração municipal e os contribuintes e buscou um trabalho de
aperfeiçoamento na qualidade dessas relações”. No ano seguinte à criação
daquela comissão, por meio de análise da mais importante tributação da
administração municipal – o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza
(ISSQN) –, sugestões foram encaminhadas ao prefeito, que renderam projeto
de lei e a simplificação de questões que provocavam prejuízos à causa pública.
De acordo com a presidente, os trabalhos da comissão municipal
tiveram êxito total, até mesmo com a temática sendo estendida, em 2003, para
discussão da questão tributária no Senado Federal. A relevância da comissão
e seus bons resultados estão também reforçados em dissertações de mestrado
e teses de doutorado que continuam a estudar a iniciativa da capital mineira na
gestão de Fernando Pimentel.
Agora, à frente da Comissão no âmbito estadual, Misabel vê a
oportunidade de tornar a questão tributária um objeto de construção
democrática e participativa, que permita desenvolver estudos, sugestões e
soluções a serem avaliadas pelo governador. Para o avanço numa reforma
tributária, analisa a tributarista, todo bom projeto de avaliação deve partir da
integração. Desse modo, o corpo técnico, os representantes da sociedade
civil, os auditores fiscais, os observadores do poder legislativo, entre outros
participantes, devem colaborar e atuar de forma conjunta na fundamentação
tributária de Minas Gerais. “A formação dessa comissão é decisiva”, ressalta
Misabel.
Composição
A Comissão, para o biênio 2015-2016, tem como membros permanentes
a presidente, Misabel Derzi, o secretário de Estado de Casa Civil e de
Relações Institucionais, Marco Antônio Rezende Teixeira, o secretário de
Estado de Fazenda, José Afonso Bicalho, e o advogado-geral do Estado,
Onofre Alves Batista Júnior. Eles formam a chamada Direção Executiva,
que vai cuidar da implementação das atividades a serem realizadas. Outro
participante efetivo é o secretário de Estado de Planejamento e Gestão,
Helvécio Magalhães.
Três Juristas ou especialistas de notório saber, a convite dos demais
membros permanentes, também estarão na Comissão para cuidar da
relatoria dos trabalhos realizados. Ainda por convocação dos membros,
consultores externos, nacionais e internacionais, acadêmicos, pesquisadores
e especialistas podem ser convidados para composição para atuar como
colaboradores eventuais.
Além disso, o grupo prevê os seguintes integrantes: servidores
especialistas na matéria designados por ato do presidente da Comissão;
membros convidados representantes da Assembleia Legislativa do Estado
de Minas Gerais (ALMG), do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
(TJMG), do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG),
do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), da Ordem dos
Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG), do Conselho Regional
de Contabilidade de Minas Gerais (CRCMG), da Federação das Indústrias do
Estado de Minas Gerais (Fiemg), da Associação Comercial e Empresarial de
Minas (ACMinas), da Câmara de Defesa do Contribuinte, integrante do Sistema
Estadual de Defesa do Contribuinte, e dos sindicatos e outras entidades da
sociedade civil.
Vale ressaltar que os membros da Comissão não são remunerados
e trabalham de forma voluntária. Além das proposições e discussões, a
Comissão tem o compromisso de elaborar um relatório anual dos estudos
conduzidos com base no cenário estadual, considerando efeitos econômicos
e sociais de aplicação. O documento deve ser apresentado ao governador
sempre até o mês de março do ano seguinte.