Rede Sindijori de Comunicação

Devastação e

interesses privados

marcaram gestão

das águas nos

últimos governos

Relatório apresentado pela Copasa por determinação do governador Fernando

Pimentel deixa claro que o governo anterior não tomou medidas necessárias

para evitar o comprometimento do abastecimento de água

Um comunicado da diretoria da Companhia de Saneamento

do Estado de Minas Gerais (Copasa) esta semana assustou

a população mineira. Segundo a presidente da estatal, Sinara

Meireles, existe um risco real de desabastecimento de água na

Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e em cidades de

outras regiões do Estado. A crise revela o descaso dos últimos

governos com a gestão das águas mineiras, executada de maneira

irresponsável, voltada para interesses privados e fora das vistas da

população.

O Sistema Paraopeba, que abastece a RMBH e é composto pelos

reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, está

operando atualmente com 30,25% de sua capacidade. Dos três

reservatórios, o que apresenta a pior condição é o Sistema Serra

Azul, que atualmente está com apenas 5,73% de seu volume,

praticamente já operando em seu volume morto. Já o sistema

Vargem das Flores apresenta capacidade atual de 28,31% e o

sistema Rio Manso, 45,06%.

O relatório, apresentado pela Copasa e elaborado em caráter de

emergência por determinação do governador Fernando Pimentel,

também deixa claro que o governo anterior tinha conhecimento

da situação, mas não tomou medidas necessárias para evitar o

comprometimento do abastecimento. Mesmo com a estiagem

prolongada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o governo

anterior optou por manter a distribuição de água para a população

em níveis estáveis nos últimos dois anos.

É preciso apontar as razões que levaram a este quadro. A gestão

neoliberal das águas, com investimento nas Parcerias Público-
Privadas (PPP’s) e passe livre para a exploração minerária, não

é um modelo sustentável e que possa levar a uma solução para a

crise hídrica em que nosso estado se encontra.

A Copasa tem capacidade técnica e financeira para ampliar e

operar o sistema, sem necessidade de entregá-lo à iniciativa

privada. Mas ainda assim, a ganância e o desejo de atender à

demanda do empresariado prevaleceram durante os governos

tucanos. O lobby de empresas mineradoras como a Sul Americana

de Metais (SAM), a Anglo American e a Ferrous e suas ligações

escusas com os últimos governos foram elementos preponderantes

nas decisões acerca da gestão das águas.

Agravando ainda mais a situação, Minas Gerais é hoje o estado

pentacampeão em desmatamento da Mata Atlântica, com 8.347

hectares devastados. Segundo o Ministério Público Estadual, os

maiores desmatadores são os proprietários de grandes áreas,

que investem alto em projetos agrícolas de monocultura. E que

desmatam com autorizações concedidas pelo próprio governo

estadual.

A Copasa conclama agora a população para uma redução de

30% no consumo da água em Minas Gerais. Após 12 anos de

desperdício institucionalizado e opções que arrastaram a população

para a atual crise, caberá ao atual governo encontrar uma solução

viável. Mais uma surpresa da herança maldita que cai no colo do

povo mineiro.

Projeto do deputado Rogério Correia transformou Vargem das

Flores em Área de Proteção Ambiental

Atualmente com apenas 29% da sua capacidade de abastecimento,

a represa de Vargem das Flores desde 2006 é considerada Área de

Proteção Ambiental, graças à Lei 16.197, de autoria do deputado

Rogério Correia. A bacia hidrográfica é responsável pela produção

de 15% da água consumida pela Região Metropolitana de BH,

beneficiando cerca de 700 mil habitantes.

Desde 2003, época em que foi criado o projeto de lei para

instalação da APA, a preservação da capacidade de abastecimento

de Vargem das Flores já era motivo de preocupação. O PL de

Rogério Correia já trazia como objetivo a proteção e a conservação

dos sistemas naturais essenciais à biodiversidade, especialmente

dos recursos hídricos afluentes ao reservatório.

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